A comerciante Jucéa Maria de Andrade, que deu à luz gêmeos após uma gravidez rara em Três Pontas, no Sul de Minas Gerais, recebeu alta e está em casa com os recém-nascidos Isabella e Mateus. "Toda hora eles estão mamando, não estão chorando, são umas gracinhas", disse a tia dos bebês Kelle Martins ao G1, enquanto a irmã amamentava. Eles deixaram o hospital nesta sexta-feira (27). Por causa de uma malformação chamada “útero Didelfo”, Jucéa, de 38 anos, tem dois órgãos reprodutores e cada um dos filhos foi gerado em um útero diferente.
A alta foi dada pela cordo com a médica de Jucéa, a ginecologista Márcia Andréia Mesquita Mendes. De acordo com especialista, a paciente passa bem e não vai precisar de um acompanhamento especial.
Neste sábado (28), os bebês recebem a visita dos avós paternos, que são da cidade de Boa Esperança, também na Região Sul do estado, segundo a tia. O pai Aguinaldo de Paula Leopoldino já curtiu os bebês, mas precisou trabalhar neste fim de semana. Os gêmeos nasceram com com 2,8 quilos e 2,21 quilos, nesta quarta-feira (25), na Santa Casa de Misericórdia do Hospital São Francisco de Assis.
Jucéa, que tem outra filha de sete anos, falou ao G1 por telefone quando ainda estava no hospital, nesta quinta-feira (26). Ela disse que sentiu muito medo de morrer no parto porque os médicos pensavam que a gestação não passaria do sexto mês. “Eu sou a prova de que Deus existe”, falou. Passada a cesariana, declarou que "não cabe mais onde ter felicidade”.
‘Útero Didelfo’Segundo a ginecologista Márcia Andréia Mesquita Mendes, que acompanhou a gestação desde os primeiros meses, Jucéa possui uma malformação chamada “útero Didelfo”. Durante a formação do órgão reprodutor, uma divisão surgiu separando as partes. Cada um dos filhos foi formado em um útero diferente. Ainda segundo ela, a fecundação e a formação dos fetos foram semelhantes a uma gestação de gêmeos fraternos – que é quando dois espermatozóides fecundam dois óvulos –, mas, ao invés de duas placentas em um único útero, os bebês foram gerados em dois órgãos reprodutores diferentes.
Segundo o especialista em ginecologia endócrina José Arnaldo de Souza Ferreira, o caso de Jucéa é ainda mais incomum, pois cada óvulo foi captado por uma trompa uterina diferente. De acordo com ele, existia a possibilidade de que os gêmeos fossem gerados em um único útero, mesmo que a paciente tenha outro.
Este tipo raro de malformação uterina ocorre em 10 de cada 20 mil mulheres, segundo José Arnaldo. De acordo com o médico, muitas mulheres engravidam e convivem com o problema sem ter conhecimento da existência dele. O ginecologista explica que, para ter um diagnóstico certo, é preciso fazer um ultrassonografia tridimensional, ou uma ressonância nuclear magnética ou uma laparoscopia, que consiste em um procedimento cirúrgico. Contudo, a suspeita pode surgir depois de procedimentos clínicos simples.
Ainda segundo o médico, grande parte dos casos de gravidez em “útero didelfo” chega ao fim de forma segura e tranquila para a mãe e o bebê, mas, em alguns casos, a malformação pode causar problemas de circulação sanguínea e aborto. Outros problemas como o tamanho do órgão - que pode ser pequeno e insuficiente para a gestação – também pode levar à interrupção da gravidez.
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